O resultado complica as contas da equipa portuguesa na luta pela qualificação para os oitavos de final, ao mesmo tempo que confirma o Leverkusen como uma das equipas mais consistentes da atual edição da prova. Ainda assim, a exibição do Benfica deixou sinais positivos de competitividade e entrega — faltou apenas transformar domínio em golos.
🌍 Um jogo com peso europeu
O confronto tinha contornos decisivos. O Benfica entrava na partida com quatro pontos em três jogos, sabendo que uma vitória o colocaria novamente na rota da qualificação. Do outro lado, o Leverkusen de Xabi Alonso — atual campeão da Bundesliga e uma das sensações da Europa — chegava invicto e com uma estrutura de jogo extremamente organizada.
A atmosfera na Luz era eletrizante. Mais de 60 mil adeptos empurraram a equipa desde o aquecimento, numa noite que misturava esperança e nervosismo. O hino da Champions ecoou como um ritual de fé para um clube habituado a grandes noites europeias.
José Mourinho, treinador encarnado, apostou num onze equilibrado: Trubin, Bah, Otamendi, Morato, Aursnes, Florentino, Barrenechea, Rafa Silva, Di María, David Neres e Arthur Cabral.
O plano era claro — pressionar alto, condicionar a saída alemã e tentar explorar a velocidade pelos corredores.
⚔️ Primeira parte: intensidade, oportunidades e frustração
O Benfica começou melhor. A equipa mostrou personalidade, assumiu o jogo e controlou a posse de bola nos primeiros 20 minutos. Rafa Silva e Neres foram as principais armas ofensivas, desequilibrando nas alas e criando espaço entre linhas.
Aos 14 minutos, o primeiro grande momento: Enzo Barrenechea recuperou uma bola no meio-campo e lançou Neres, que cruzou rasteiro para Arthur Cabral. O brasileiro rematou de primeira, mas o guarda-redes Hrádecky defendeu com a perna direita — seria o 1-0.
O Leverkusen respondeu com calma, mantendo o seu estilo característico: construção desde trás, paciência e movimentação coordenada. Aos 27 minutos, Wirtz deu o primeiro aviso, com um remate perigoso de fora da área que passou a centímetros da trave.
A intensidade aumentou com o passar dos minutos. O Benfica subia as linhas, mas a equipa alemã mostrava eficácia defensiva e controlo emocional. A posse dividia-se, mas as melhores ocasiões pertenciam aos encarnados. Aos 39 minutos, Di María teve uma oportunidade de ouro num livre direto — a bola passou por cima da barreira e beijou o poste direito, com o estádio em pé.
O intervalo chegou com 0-0 no marcador e a sensação de que o Benfica poderia, e talvez devesse, estar em vantagem.
⚽ Segunda parte: o detalhe que decidiu o jogo
O segundo tempo começou com um ritmo mais pausado, mas com o Leverkusen a mostrar ligeira superioridade tática. Xabi Alonso fez a primeira alteração aos 52 minutos, lançando Adli para reforçar o corredor esquerdo e travar as subidas de Bah.
Aos 59 minutos, o momento decisivo da partida: uma perda de bola no meio-campo encarnado permitiu a Wirtz lançar Frimpong em velocidade. O lateral cruzou rasteiro e Patrik Schick, oportuno como sempre, apareceu entre os centrais para finalizar com classe. 0-1 para o Leverkusen — um golpe duro, mas não fatal.
O Benfica reagiu imediatamente. Mourinho fez entrar Tengstedt e João Mário para dar frescura ao ataque. O domínio territorial voltou a ser português, com 63% de posse de bola nos 20 minutos seguintes. Contudo, a defesa alemã — liderada por Tah e Tapsoba — mostrou uma solidez exemplar, anulando qualquer tentativa de penetração.
Aos 74 minutos, Rafa teve talvez a melhor chance da segunda parte: um remate cruzado dentro da área que desviou em Tapsoba e saiu a centímetros do poste. O golo parecia iminente, mas nunca chegou.
Nos minutos finais, o Benfica empurrou o adversário para o seu meio-campo, mas o Leverkusen defendeu com maturidade. O árbitro apitou aos 95 minutos e a Luz silenciou-se, consciente de que o esforço não foi recompensado.
🔍 Análise tática: dois modelos, um vencedor
O duelo entre José Mourinho e Xabi Alonso foi, em muitos aspetos, uma batalha de ideias.
O Benfica apresentou uma estrutura em 4-2-3-1, com Florentino e Barrenechea como duplo pivô, e liberdade ofensiva para Rafa e Di María. A equipa apostou em intensidade e ocupação de espaços, mas faltou profundidade no último terço.
O Leverkusen, por sua vez, mostrou porque é considerado um dos conjuntos mais taticamente evoluídos da Europa. O 3-4-3 de Alonso transformava-se num 5-2-3 sem bola, com os alas a recuar rapidamente. O segredo esteve na forma como os alemães controlaram o centro do campo, impedindo o Benfica de explorar as costas da linha defensiva.
Em termos de números:
Posse de bola: Benfica 56% – Leverkusen 44%
Remates: Benfica 13 – Leverkusen 9
Remates à baliza: 5 contra 4
Cantos: 7 contra 3
Os dados confirmam o que se viu no relvado: o Benfica dominou, mas o Leverkusen foi letal.
🌟 Destaques individuais
Rafa Silva: incansável, foi o motor ofensivo da equipa. Criou perigo com arrancadas e sofreu várias faltas táticas.
Di María: mostrou classe e experiência, especialmente nas bolas paradas. Faltou-lhe apenas o golo.
Barrenechea: grande presença no meio-campo, com precisão de passe e qualidade na recuperação.
Otamendi: líder defensivo, cortou vários lances perigosos.
Trubin: seguro nas defesas e sem culpa no golo.
Do lado alemão, Schick foi o herói do encontro — um avançado frio, letal e disciplinado. Wirtz, o maestro, foi quem ditou o ritmo com passes verticais e leitura de jogo notável. Já Tah e Tapsoba formaram uma muralha à frente do guarda-redes.
⚙️ Mourinho reage com serenidade
Na conferência de imprensa pós-jogo, José Mourinho mostrou-se frustrado com o resultado, mas destacou o esforço dos seus jogadores:
“Perdemos um jogo em que merecíamos pelo menos um ponto. Jogámos bem, criámos oportunidades e enfrentámos uma das melhores equipas da Europa. Faltou eficácia, mas o desempenho foi bom.”
O técnico reforçou ainda que o Benfica “ainda está vivo na competição” e que “o foco é total nas duas últimas jornadas”.
Do lado alemão, Xabi Alonso elogiou o adversário:
“O Benfica jogou com coragem e qualidade. Tivemos de sofrer, mas soubemos ser clínicos. Estes jogos ganham-se com paciência.”
🧩 O que este resultado significa
A derrota deixa o Benfica em posição delicada, mas não sem esperança. Com duas jornadas por disputar, as contas da qualificação continuam em aberto. O clube lisboeta precisará de vencer os próximos jogos — em casa frente ao Galatasaray e fora contra o Leverkusen — para manter vivo o sonho europeu.
Além da matemática, o jogo deixou uma lição importante: o Benfica tem futebol para competir com os melhores, mas precisa de maior frieza nos momentos decisivos. Em competições de elite, a diferença entre ganhar e perder está na capacidade de transformar boas exibições em resultados concretos.
🧠 Lições e perspetivas
1. Eficiência é tudo na Champions. O Benfica criou, mas não concretizou — e isso paga-se caro neste nível.
2. O projeto tem identidade. A equipa mostra coesão e competitividade, algo que faltava há alguns anos.
3. A experiência conta. O Leverkusen soube sofrer, gerir e vencer com inteligência — algo que o Benfica ainda está a consolidar.
4. Rafa e Di María continuam decisivos. A dupla oferece criatividade e imprevisibilidade; se forem bem acompanhados, o Benfica pode voltar a vencer.
5. Mourinho acerta no modelo. Apesar da derrota, o sistema tático funcionou. O problema foi a execução no momento da finalização.
🔴 Conclusão: uma derrota que pode fortalecer
O Benfica caiu, mas saiu de cabeça erguida. O resultado negativo não apaga a qualidade da exibição, nem o progresso da equipa sob comando de Mourinho. Perder por 0-1 contra uma das equipas mais fortes da Europa é frustrante, mas também encorajador — mostra que o Benfica pertence a este patamar.
Enquanto o Leverkusen continua invicto, o Benfica precisa agora de transformar boas intenções em vitórias. A Liga dos Campeões não perdoa hesitações, e cada detalhe pode decidir o destino.
Na Luz, o sonho europeu sofreu um pequeno abalo, mas ainda pulsa com força. Os adeptos sabem: o Benfica já mostrou que é capaz de reagir. E se há clube que nunca desiste, é este.

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