1. Contexto e cronologia das eleições
O Benfica prepara-se para um momento institucional decisivo: as eleições para os órgãos sociais do clube para o quadriénio 2025-2029. Estas eleições ocorrem no dia 25 de outubro de 2025, com a primeira volta prevista. ([media.slbenfica.pt][1])
Num comunicado oficial, o clube explicou o modelo eleitoral — entre outros, a possibilidade de segunda volta (caso nenhuma lista obtenha maioria absoluta) e o funcionamento do voto eletrónico. ([foradejogo.pt][2])
Segundo o site oficial, “a Assembleia Geral Eleitoral” decorrerá entre as 08 h 30 e as 22 h em Portugal continental, em 108 locais de votação espalhados por todo o país e no estrangeiro. ([media.slbenfica.pt][1])
2. Participação recorde
Uma das notícias mais marcantes: o Benfica atingiu uma afluência sem precedentes. A 26 de outubro foi divulgado que 85.422 sócios votaram — um novo recorde mundial para eleições de clube desportivo, segundo a cobertura da imprensa europeia. ([euronews][3])
Este número supera o recorde anterior detido pelo FC Barcelona (56.300 votos numa eleição em 2010) e evidencia a forte mobilização dos sócios. ([euronews][3])
Para o clube, esta elevada participação traduz-se num momento de legitimidade elevada para a nova direcção que vier a ser eleita — mas também numa enorme responsabilidade.
3. Candidatos e programas principais
As candidaturas anunciadas são várias, o que dá à eleição um carácter competitivo:
Rui Costa (actual presidente), que procura a reeleição. ([pt.wikipedia.org][4])
João Noronha Lopes, empresário e gestor, com proposta de renovação. ([pt.wikipedia.org][4])
João Diogo Manteigas, advogado ligado ao Direito do Desporto, que defendeu que “não pode haver acto eleitoral sem estar concluída a revisão estatutária”. ([Revista Tempo][5])
Martim Mayer, gestor e empresário, cuja candidatura tem apostado na internacionalização e modernização das infra-estruturas do clube. ([Diario AS][6])
Outros nomes figuram como possíveis, mas estes são os mais referenciados até ao momento.
Nas suas propostas, os candidatos abordam temas cruciais como: renovação e sustentabilidade financeira, o reforço do plantel e competitividade europeia, a modernização das infra-estruturas (nomeadamente o projecto “Benfica District”), e uma maior ligação aos sócios e à comunidade benfiquista.
4. Principais eixos de debate eleitoral
4.1 Transparência, estatutos e modelo de votação
Um dos temas que ganhou destaque é a revisão dos estatutos do clube, o regulamento eleitoral e a forma de voto (físico, electrónico, ou misto). Manteigas chegou a afirmar que “é inadmissível que venham a existir eleições antecipadas no Benfica sem que o processo de Revisão Estatutária esteja completamente finalizado”. ([Revista Tempo][5])
O clube emitiu um comunicado esclarecendo os elementos técnicos das eleições: modelo de duas voltas, voto electrónico, listagem de locais de voto, etc. ([foradejogo.pt][2])
Esta questão estrutural interessa bastante aos sócios que defendem uma maior abertura democrática no clube, bem como aos que querem garantir que o processo eleitoral é conduzido com clareza e legitimidade.
4.2 Situação financeira e futura política desportiva
A situação económica é outra grande preocupação: o clube enfrenta desafios de sustentabilidade, e os sócios questionam o rumo dado nos últimos anos. Nas discussões entre adeptos, surgem críticas ao facto de o clube “começar do zero” todos os anos e não conseguir extrair todo o potencial da sua massa adepta e mercado. ([Reddit][7])
Os programas das candidaturas diferem na forma de abordar isto: alguns privilegiam uma política mais defensiva de contenção de custos e foco na formação, outros apostam em investimento elevado para regressar rapidamente à elite europeia.
4.3 Infra-estrutura: “Benfica District” e o Estádio da Luz
O projecto de modernização do estádio e do conjunto de infra-estruturas envolventes (chamado “Benfica District”) é um capítulo central nesta campanha eleitoral. ([Rádio Renascença][8])
Este plano — que prevê aumento de capacidade, novos espaços comerciais, hotelaria, pavilhões multiusos e mais — está condicionado à continuidade e aprovação por parte dos sócios e direcção. A sua concretização dependerá em grande medida da eleição de uma direcção preparada para fazer o investimento e assumir o risco.
Para os sócios, isto traduz-se numa pergunta: preferem estabilidade e consolidação ou investimento imediato com riscos?
5. Impacto para o plantel, modalidades e desafios desportivos
As eleições no Benfica não dizem apenas respeito ao futebol. A direcção eleita terá impacto nas várias modalidades do clube (andebol, basquetebol, futebol feminino, etc.), no reforço e renovação do plantel, e na estratégia de longo prazo.
Por exemplo, as modalidades pedem maior investimento e qualidade, enquanto o futebol sénior exige estabilidade para aguentar os “Grandes” rivais e a ambição europeia.
Caso a campanha eleitoral acabe por dividir demasiadamente o ambiente ou conduzir a decisões populistas, há risco de instabilidade no balneário ou perda de oportunidades de mercado. A eleição surge num momento em que o clube mudou recentemente de treinador e enfrenta pressão para evoluir em resultado e identidade.
6. O que está em jogo para os sócios e para o clube
Legitimidade democrática: A elevada participação revela que os sócios querem ter voz activa na escolha dos dirigentes. A nova direcção sairá com mandato forte — e as expetativas estão elevadas.
Direção estratégica: O clube precisa de um rumo claro para os próximos anos. As eleições vão definir esse norte — se será um ciclo de crescimento sustentado ou um “ataque” rápido à conquista de títulos.
Risco vs. recompensa: Inovar implica riscos (financeiros, desportivos). Optar por contenção pode ir contra ambição e vontade dos sócios.
Cultura institucional: A forma como as eleições são realizadas, a transparência, e o pós-eleição (transição, continuidade, prestação de contas) vão determinar o grau de confiança dos sócios na direcção.
Impacto imediato no clube: Muitas decisões estão já em curso – contratação de jogadores, definição do treinador, projecto das infra-estruturas. Uma mudança de direcção implica um “reset” ou ajuste profundo.
7. Possíveis cenários
Reeleição de Rui Costa: Continuar com a actual direcção, apostando na continuidade, nos projectos já iniciados (como o Benfica District) e na execução do plano desportivo e infra-estruturas.
Vitória de uma candidatura alternativa: Mudança de rumo, com possivelmente uma revisão estratégica mais profunda, maior foco na formação ou diferentes prioridades de investimento.
Segunda volta e negociação de consensos: Se nenhuma lista conseguir maioria absoluta, poderá haver negociação entre listas ou alianças informais — o que poderá gerar compromissos ou concessões que afectem a capacidade de acção da direcção eleita.
8. Recomendações para sócios e interessados
Verificar se estão com as quotas em dia e o direito de voto confirmado (essencial para participar).
Analisar os programas de cada candidatura de forma crítica: quais as prioridades, quais os números apresentados, qual o plano para os próximos quatro anos.
Prestar atenção à legitimidade do processo — regulamento eleitoral, locais de voto, eventual uso de voto electrónico ou não, divulgação de contagem.
Após a eleição, acompanhar de perto a execução do programa eleito — muitas promessas são feitas em campanha, mas o sucesso depende de implementação e resultados concretos.

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